Aqui
onde o mar e o céu se tocam numa linha quase imperceptível liberto os
meus pensamentos e fico a sós com o infinito. Sinto que a quietude
é possível e, por momentos, apenas o silêncio me sussurra a voz do entardecer.
Gosto de ouvir a chuva a cair, do cheiro a terra molhada, do vento que ciranda em redor das folhas que vão atapetando o chão. É o Outono a acontecer nas tardes dos dias breves.
De que serve preocuparmo-nos com o dia de amanhã se o
hoje ainda não terminou? Demos tempo ao tempo evitando que este nos acorrente a
divagações e querelas que não nos conduzem a bom porto, antes pelo contrário nos
limitam a caminhada e adiam a construção da paz.
O meu rio está a morrer…Logo ali às Portas de Rodão o meu
rio está contaminado pela insânia avarenta e amoral do Homem. Logo ali às
portas de Rodão (e ao longo de todo o seu leito) os peixes que outrora serviam de alimentação às populações vizinhas (e outras espécies) estão em vias de extinção e flutuam mortos aos milhares,
perante a insensibilidade dos que apenas se limitam a escoar o que lhes permite
um lucro fácil! Hoje sinto-me no dever moral de me juntar a tantas vozes que têm vindo a denunciar este estado calamitoso em que se encontra o Rio Tejo apelando a quem de direito que não deixe perecer o rio que é a alma de tantos os que nasceram nas suas
margens, de tantos que têm na alma o eco dos afectos que um dia os fez gente. Por
favor, não deixem perecer o rio que me corre no sangue.