É outono e uma certa nostalgia invade-me. As folhas caem
e com elas algumas das minhas interrogações acentuam-se. Cada folha é como uma
esquiva inquietude que não me deixa perceber o teu afastamento. Será que a
apatia se apoderou de ti e te impede de contemplar o mundo? Há tanto ainda para
viver e entender.
A natureza é deslumbrante e tal como numa tela gigante as cores misturam-se num convite que me impele a observar e a contemplar! Apenas o som do silêncio me envolve! É um momento de paz.
É que só temos uma vida, efémera, e esta devia ser vivida
dentro da maior concórdia. As guerras apenas destroem e a falta de amor corrompe o
que de melhor existe no nosso âmago.
Às vezes gostaria de entender as palavras que trocamos no
silêncio dos olhares que se cruzam como aves em pleno voo e vão deixando um
rasto leve como nuvem a beijar o céu. É que há diálogos inconfundíveis que rasgam
horizontes e nos e apaziguam a alma.